São Paulo, 04/09/26 – Os principais reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo começaram setembro em situação de atenção, especialmente o Sistema Cantareira, que continua operando dentro da faixa de alerta. Os dados mais recentes, atualizados em 3 de setembro de 2026, mostram que o conjunto dos mananciais apresenta níveis bastante diferentes entre si.
O Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo, registrava 33,4% de seu volume útil. O índice está dentro da chamada Faixa 3, de alerta, que compreende níveis entre 30% e 40%. Em agosto, o sistema encerrou o mês com 33%, depois de começar o período com 36,7%.
Como estão os principais sistemas
De acordo com os dados mais recentes, o cenário entre os reservatórios é bastante desigual:
| Sistema | Volume útil |
|---|---|
| Cantareira | 33,4% |
| Alto Tietê | 42,9% |
| Cotia | 56,9% |
| Guarapiranga | 70,0% |
| Rio Claro | 41,4% |
| Rio Grande | 76,7% |
| São Lourenço | — |
| Sistema Integrado Metropolitano | 44,0% |
Os números são referentes à atualização de 3 de setembro. No total, o Sistema Integrado Metropolitano acumulava aproximadamente 855 milhões de metros cúbicos de volume útil, equivalente a 44% da capacidade considerada nos sistemas produtores monitorados.
Chuva ainda abaixo da média
Um dos principais fatores de preocupação é a quantidade de chuva registrada nos mananciais. Até 3 de setembro, o Cantareira havia acumulado 48,9 milímetros de chuva no mês, enquanto a média histórica para setembro é de aproximadamente 78,8 mm. No Alto Tietê, foram cerca de 35,1 mm, diante de uma média histórica de 57,1 mm.
Uma frente fria no início do mês trouxe precipitações superiores a 25 mm em apenas um dia para Cantareira e Alto Tietê. A chuva provocou uma pequena recuperação dos volumes, mas ainda não foi suficiente para alterar significativamente o quadro.
Medidas para preservar a água
Diante da situação do Cantareira, a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a SP Águas decidiram manter o sistema na faixa de alerta durante setembro. A autorização permite à Sabesp retirar até 27 mil litros de água por segundo do sistema para atender as regiões abastecidas.
Outra medida é a continuidade da transferência de água da região da Usina Hidrelétrica Jaguari para o Cantareira. O limite anual autorizado para essa operação em 2026 foi ampliado de 162 bilhões para 268,28 bilhões de litros.
Na Grande São Paulo, a Sabesp também mantém a redução da pressão da água durante oito horas no período noturno, estratégia utilizada para diminuir o consumo e preservar os estoques dos mananciais. Segundo a companhia, a medida já proporcionou uma economia significativa de água desde sua implantação.
Cenário exige atenção
Apesar de alguns reservatórios apresentarem níveis mais confortáveis, como Guarapiranga e Rio Grande, o desempenho do Cantareira continua sendo um dos principais pontos de preocupação para o abastecimento paulista.
A chegada da primavera poderá trazer aumento das chuvas e ajudar na recuperação dos mananciais. Até lá, porém, a evolução dos níveis dependerá principalmente do volume de precipitações e do comportamento do consumo de água na Região Metropolitana.
Fontes: SP Águas/Sistema de Suporte à Decisão, ANA, Sabesp e informações meteorológicas e jornalísticas recentes.
Foto: Divulgação Sabesp
