O tradicional bilhete magnético do Metrô de São Paulo está chegando ao fim. Depois de mais de cinco décadas fazendo parte da rotina dos passageiros, o cartão de papel conhecido como Edmonson deixará definitivamente de ser aceito nas catracas da rede a partir de novembro de 2026.
A despedida encerra uma história iniciada nos primeiros anos de operação comercial do Metrô paulistano. Os bilhetes magnéticos começaram a ser utilizados em 1974, quando a cidade ainda dava os primeiros passos na implantação de seu sistema metroviário.
Segundo informações divulgadas pelo Metrô, quem ainda possui os cartões poderá utilizá-los normalmente até 31 de outubro de 2026. Após esse prazo, os bilhetes não serão mais reconhecidos pelos equipamentos de acesso.
Ainda será possível trocar os bilhetes
Os passageiros que chegarem ao fim do prazo com bilhetes magnéticos guardados não deverão perder o valor das passagens. O Metrô prevê um período para a substituição dos cartões remanescentes até janeiro de 2027.
Os locais e procedimentos para realizar a troca ainda serão divulgados pela companhia.
A medida marca a conclusão de uma mudança tecnológica que começou anos atrás. A fabricação dos bilhetes magnéticos foi interrompida em 2021, quando o sistema passou a priorizar alternativas eletrônicas, principalmente os bilhetes com código QR.
Estoque de milhões de bilhetes voltou a circular
Apesar de já estarem em processo de retirada, os bilhetes magnéticos voltaram temporariamente às estações depois que um grande estoque foi localizado.
Um lote com aproximadamente 8 milhões de unidades foi encontrado e colocado novamente à disposição dos passageiros. Até meados de 2026, cerca de 6,5 milhões desses bilhetes já haviam sido utilizados.
A retomada temporária aconteceu justamente para permitir o aproveitamento do estoque antes da desativação definitiva da tecnologia.
Mais de 13 bilhões de bilhetes utilizados
A dimensão histórica do bilhete magnético pode ser medida pelos números acumulados ao longo das décadas.
Desde 1974, mais de 13,7 bilhões de bilhetes Edmonson passaram pelas catracas do Metrô de São Paulo. Os cartões também se transformaram em registros históricos da evolução do sistema, já que diferentes versões foram produzidas ao longo dos anos.
Com o encerramento da tecnologia, alguns exemplares antigos deverão permanecer preservados em acervos, enquanto outros já despertam interesse de colecionadores.
Bilhete magnético dá lugar ao QR Code e ao pagamento por aproximação
A saída dos cartões de papel acompanha a modernização dos meios de pagamento utilizados no transporte público.
Atualmente, o passageiro pode adquirir o bilhete unitário por QR Code, inclusive pelo celular. O Metrô informa que a passagem unitária custa R$ 5,40 e pode ser adquirida por diferentes canais. Também é possível comprar o bilhete pelo WhatsApp oficial da companhia e receber o código diretamente no telefone.
Outra alternativa disponível em determinadas catracas é o pagamento utilizando cartões de crédito ou débito com tecnologia de aproximação, eliminando a necessidade de comprar previamente um bilhete físico.
Para quem utiliza diferentes meios de transporte na cidade, o Bilhete Único continua sendo uma das principais opções, permitindo a integração entre ônibus municipais e o sistema metroferroviário, de acordo com as regras tarifárias vigentes.
Por que o sistema foi abandonado?
Além da modernização tecnológica, a manutenção dos antigos bilhetes representa custos que deixaram de fazer sentido diante da redução de sua utilização.
O sistema magnético depende de equipamentos específicos instalados nas catracas e de uma estrutura própria para produção e leitura dos cartões. Com a expansão das alternativas digitais, o modelo passou a representar uma parcela pequena das viagens.
Em 2025, o Metrô informou que os bilhetes magnéticos correspondiam a aproximadamente 4% das passagens vendidas, enquanto as novas tecnologias ganhavam espaço.
Bilhete vira peça de memória do transporte paulistano
Mais do que um meio de acesso às estações, o pequeno cartão de papel se tornou parte da memória de várias gerações de paulistanos.
Durante décadas, o bilhete esteve presente na rotina de estudantes, trabalhadores, turistas e moradores que utilizavam o Metrô diariamente. Muitos passageiros guardaram exemplares antigos como lembrança, principalmente aqueles com desenhos e edições que marcaram períodos específicos da história da companhia.
Agora, com a retirada definitiva das catracas, o bilhete magnético passa oficialmente de meio de pagamento para peça histórica.
O fim do Edmonson representa, portanto, não apenas a substituição de uma tecnologia, mas o encerramento de um capítulo iniciado junto com o próprio Metrô de São Paulo. Depois de mais de 50 anos e bilhões de viagens, o cartão que ajudou a popularizar o transporte metroviário na capital paulista será substituído definitivamente por soluções digitais e eletrônicas.
