A decisão de proibir a operação das casas de apostas no Brasil pode provocar um forte impacto financeiro no futebol nacional. Atualmente, 14 dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro têm uma empresa de apostas como patrocinadora máster, com contratos que somam aproximadamente R$ 910 milhões por ano.
Com a medida provisória anunciada pelo governo, os clubes terão de retirar as marcas das bets de seus uniformes e demais espaços de publicidade dentro do prazo estabelecido. O cenário abre uma corrida pela substituição de contratos que se tornaram importantes fontes de receita para as equipes.
Veja quanto cada clube recebe das bets
Os valores correspondem aos contratos anuais fixos divulgados. Alguns acordos ainda possuem bônus relacionados a desempenho, títulos ou outras metas.
| Clube | Valor anual |
|---|---|
| Flamengo | R$ 220 milhões |
| Corinthians | R$ 150 milhões |
| Palmeiras | R$ 100 milhões |
| São Paulo | R$ 90 milhões |
| Atlético-MG | R$ 60 milhões |
| Fluminense | R$ 55 milhões |
| Botafogo | R$ 55 milhões |
| Cruzeiro | R$ 43 milhões |
| Vasco | R$ 40 milhões |
| Santos | R$ 35 milhões |
| Vitória | R$ 20 milhões |
| Remo | R$ 12 milhões |
| Chapecoense | R$ 10 milhões |
| Grêmio | Valor não divulgado |
Os valores divulgados totalizam cerca de R$ 910 milhões, considerando os contratos conhecidos. O Grêmio, que fechou recentemente um acordo com uma casa de apostas, não revelou o valor do vínculo.
Flamengo lidera com contrato de R$ 220 milhões
O Flamengo aparece isoladamente no topo da lista. O clube recebe R$ 220 milhões fixos por ano pelo espaço máster de sua camisa.
O Corinthians vem logo atrás, com R$ 150 milhões anuais, enquanto o Palmeiras tem contrato de R$ 100 milhões. São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Botafogo também possuem acordos que ultrapassam R$ 50 milhões por temporada.
No caso do Palmeiras, por exemplo, existem valores adicionais condicionados ao cumprimento de metas. Os bônus podem acrescentar até R$ 70 milhões, levando o potencial do contrato para aproximadamente R$ 170 milhões em determinado período.
Bets já representam uma fatia importante do futebol
A importância desse dinheiro vai além do valor estampado na camisa. Segundo dados baseados nos balanços financeiros de 2025, os patrocínios de casas de apostas correspondiam a 7,9% das receitas totais dos clubes da Série A.
Em 2025, os clubes da primeira divisão receberam aproximadamente R$ 1,03 bilhão em patrocínios de bets. Naquele ano, 18 das 20 equipes da Série A tinham empresas do setor no espaço máster dos uniformes; em 2026, esse número caiu para 14.
O que acontece com os contratos?
A medida provisória determina a retirada das ações de publicidade e dos sinais relacionados aos patrocínios das bets dentro do prazo estabelecido pelo governo.
Isso significa que os clubes precisarão buscar rapidamente novos patrocinadores para ocupar os espaços que ficarão disponíveis.
O problema é que substituir contratos dessa dimensão não é simples. Para algumas equipes, trata-se de dezenas ou até centenas de milhões de reais em receitas comerciais que podem deixar de entrar.
Além dos clubes, o impacto pode alcançar também competições, transmissões, publicidade nos estádios e outros negócios ligados ao futebol que receberam investimentos do setor de apostas.
Quanto o futebol pode perder?
Considerando apenas os contratos atualmente conhecidos, o futebol da Série A tem R$ 910 milhões anuais em patrocínios de bets em jogo.
O valor pode ser ainda maior quando são considerados bônus e outras receitas variáveis previstas nos acordos.
A partir de agora, os clubes terão de lidar com uma mudança significativa no mercado de patrocínios justamente em um setor que, nos últimos anos, passou a ocupar os principais espaços comerciais do futebol brasileiro.
A dimensão definitiva da perda dependerá da manutenção ou não da medida provisória e dos contratos que poderão ser substituídos por novas marcas.
Foto: Peprodução / X
