A patente do medicamento Ozempic chega ao fim nesta sexta-feira, 20 de março de 2026, no Brasil — um marco que promete mudar o cenário da indústria farmacêutica e ampliar o acesso ao tratamento para diabetes tipo 2 e obesidade.
Desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, o Ozempic é baseado na semaglutida, substância que atua no controle da glicemia e também auxilia na perda de peso. A proteção patentária da molécula expira após o prazo legal de 20 anos, contados desde o depósito do pedido em 2006.
O que muda a partir de sexta-feira
Com o fim da patente, a semaglutida passa a ser de domínio público no país. Na prática, isso permite que outras farmacêuticas desenvolvam e comercializem versões do medicamento, desde que obtenham aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A quebra da exclusividade também ocorre em outros mercados relevantes, aumentando a pressão competitiva global sobre a Novo Nordisk.
Corrida por “genéricos” e similares
Diversas empresas já se movimentam para lançar versões concorrentes do Ozempic no Brasil. Entre os laboratórios interessados estão EMS, Hypera Pharma, Biomm e Cimed, de olho em um mercado que movimenta bilhões por ano.
Apesar de serem popularmente chamados de “genéricos”, a maioria dos produtos deve chegar como medicamentos similares (ou biossimilares), já que se trata de um fármaco complexo.
A expectativa é que os primeiros registros sejam aprovados ainda em 2026, mas a chegada às farmácias deve ocorrer de forma gradual.
Preços devem cair — mas não imediatamente
Um dos principais impactos esperados é a redução no preço do tratamento, hoje considerado elevado. Estimativas do setor apontam que os novos concorrentes podem chegar custando até cerca de 50% menos que o produto original.
No entanto, especialistas alertam que essa queda não será imediata. Isso porque a entrada de novos medicamentos depende de aprovação regulatória, capacidade de produção e estratégias comerciais das empresas.
Disputa judicial e limites
A Novo Nordisk tentou na Justiça estender a validade da patente, alegando demora na análise do registro, mas não obteve sucesso. A decisão segue entendimento do Supremo Tribunal Federal, que limita a proteção a 20 anos sem prorrogação automática.
Mesmo com o fim da patente principal, ainda podem existir proteções secundárias relacionadas a formulações ou processos, o que pode gerar disputas judiciais no setor.
Impacto para pacientes e sistema de saúde
A abertura do mercado pode ampliar o acesso ao medicamento no Brasil, inclusive reacendendo discussões sobre eventual incorporação da semaglutida no SUS, algo antes barrado pelo alto custo.
Além disso, o aumento da concorrência deve impulsionar inovação e novas alternativas terapêuticas, em um segmento que cresce rapidamente devido ao avanço da obesidade e do diabetes no país.
Foto: Bloomberg
