Idoso que teve tratamento negado pela Justiça recebe polilaminina autorizada pela Anvisa e volta a mexer as pernas

Cidades Saúde

A história de superação do idoso João Luiz Miqueline, de 70 anos, tem emocionado familiares, profissionais de saúde e internautas nas redes sociais. Após enfrentar uma batalha judicial para conseguir acesso a um tratamento experimental, ele voltou a mexer as pernas apenas dois dias depois de receber a aplicação da substância polilaminina em um hospital de Curitiba, no Paraná.

Morador de Colombo, na região metropolitana da capital paranaense, João Luiz ficou paraplégico após sofrer uma queda de cerca de três metros em dezembro de 2025, que resultou em fratura na coluna e perda dos movimentos abaixo da cintura. Desde então, a família iniciou uma corrida contra o tempo para tentar garantir acesso a terapias que pudessem auxiliar na recuperação.

O pedido para uso do medicamento experimental chegou a ser negado pela Justiça em diferentes instâncias. Diante das negativas, os familiares recorreram a outro caminho e solicitaram diretamente autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permitiu a aplicação por meio do chamado uso compassivo, mecanismo que possibilita a utilização de tratamentos ainda em fase de pesquisa em pacientes com doenças graves.

A aplicação ocorreu no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. O procedimento faz parte de uma linha de pesquisa sobre a polilaminina, um composto experimental derivado da laminina — proteína encontrada na placenta — desenvolvido para estimular a regeneração de nervos após lesões na medula espinhal.

A resposta inicial surpreendeu a equipe médica e a família. Apenas dois dias após receber a substância, João Luiz conseguiu movimentar as pernas durante as sessões de reabilitação. Em um vídeo gravado no hospital, o idoso aparece emocionado e afirma: “Eu vou sair daqui andando”.

Após o procedimento, ele iniciou fisioterapia intensiva no Centro Hospitalar de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier, onde segue em acompanhamento multidisciplinar.

A polilaminina ainda não possui registro definitivo para uso amplo no país e segue em fase de estudos clínicos, mas especialistas veem na substância uma possível alternativa no futuro para pacientes com lesões medulares graves, condição que atualmente possui poucas opções de tratamento capazes de recuperar movimentos.

O caso de João Luiz reacendeu o debate sobre o acesso a terapias experimentais no Brasil e trouxe esperança para milhares de pessoas que convivem com sequelas de lesões na medula espinhal.

Foto: reprodução Instagram