Governo Trump faz acordo com Tik Tok e deve receber R$ 53 bilhões, segundo jornal

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O aplicativo de vídeos curtos TikTok firmou um acordo com o governo dos Estados Unidos durante a administração do presidente Donald Trump para reorganizar suas operações no país e evitar a proibição da plataforma no mercado americano. A negociação envolve a criação de uma nova empresa responsável pelo funcionamento do aplicativo nos EUA e a entrada de investidores locais no controle do negócio. Informação é do The Wall Street Journal.

O acordo encerra anos de disputa política e regulatória envolvendo o aplicativo, cuja controladora chinesa, a empresa ByteDance, vinha sendo acusada por autoridades americanas de representar riscos à segurança nacional por causa do possível acesso do governo chinês aos dados de usuários.

Venda parcial e criação de nova empresa

Como parte da negociação, foi criada uma nova empresa chamada TikTok USDS Joint Venture LLC, responsável por administrar a operação da rede social nos Estados Unidos. O novo grupo é controlado majoritariamente por investidores americanos, incluindo empresas como Oracle Corporation e a gestora Silver Lake, além do fundo internacional MGX.

A estrutura societária prevê que a ByteDance mantenha uma participação minoritária, inferior a 20%, enquanto a maioria do controle fica nas mãos do consórcio de investidores sediados fora da China.

Pagamento bilionário ao governo

Outro ponto que chamou atenção no acordo foi a previsão de pagamento de até US$ 10 bilhões ao Tesouro dos Estados Unidos. O valor seria pago pelos investidores envolvidos na reestruturação da empresa como uma espécie de taxa associada à negociação conduzida pelo governo.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, cerca de US$ 2,5 bilhões já foram pagos quando o acordo foi finalizado no início de 2026, com o restante sendo quitado em parcelas ao longo do tempo.

Origem da disputa

A negociação é consequência de uma lei aprovada pelo Congresso dos EUA em 2024 que determinava que aplicativos controlados por empresas de países considerados adversários — como a China — deveriam ser vendidos a empresas americanas ou seriam proibidos de operar no país.

A legislação levou o TikTok a interromper temporariamente suas operações no território americano no início de 2025, antes de voltar a funcionar após a promessa do governo Trump de negociar uma solução para manter a plataforma ativa.

Polêmica e questionamentos

Apesar de ter garantido a continuidade do aplicativo nos Estados Unidos, o acordo também gerou críticas e questionamentos políticos e jurídicos. Especialistas apontam que o pagamento bilionário ao governo e a permanência do algoritmo do TikTok sob licença da ByteDance levantam dúvidas sobre transparência e segurança.

Nos Estados Unidos, organizações e empresas rivais chegaram a entrar com ações judiciais questionando a legalidade da negociação e alegando favorecimento político na aprovação do acordo.

Impacto

Mesmo com as controvérsias, o acordo permitiu que o TikTok continuasse operando em um de seus maiores mercados. A plataforma possui mais de 200 milhões de usuários nos Estados Unidos, além de milhões de empresas e criadores de conteúdo que dependem da rede social para trabalho e publicidade.

Foto: AFP

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