Chuvas recordes de setembro ajudam a recuperar reservatórios de São Paulo

Cidades

São Paulo, 01/10/26 – As chuvas que atingiram São Paulo ao longo de setembro provocaram transtornos em diferentes regiões da capital, mas também trouxeram uma recuperação importante para os principais reservatórios responsáveis pelo abastecimento da Região Metropolitana.

Segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE), setembro acumulou cerca de 294,9 milímetros de chuva na cidade, mais de quatro vezes os 66 milímetros esperados para o mês. O volume fez de setembro de 2026 o período mais chuvoso da série histórica do órgão, iniciada em 1995.

O recorde já havia sido ultrapassado na primeira quinzena. Em 14 de setembro, a estação do Mirante de Santana, utilizada pelo Inmet como referência para a capital, registrava 253,8 mm, superando o antigo recorde de 243,1 mm, observado em 1983.

Reservatórios ganham fôlego

O excesso de chuva também mudou o cenário dos mananciais que abastecem a Grande São Paulo. O principal destaque foi o Sistema Cantareira.

No fim de agosto, o reservatório estava com 32,99% do volume útil. Em 30 de setembro, chegou a 41,1%, uma recuperação de mais de oito pontos percentuais em apenas um mês. Com isso, o sistema deixou a faixa de alerta e passou para a faixa de atenção em outubro.

O Cantareira é responsável pelo abastecimento de aproximadamente metade da população da Região Metropolitana e possui capacidade de armazenamento útil de cerca de 981,6 bilhões de litros.

Os demais sistemas também apresentaram níveis elevados no encerramento de setembro. Dados baseados no acompanhamento da Sabesp indicavam:

SistemaVolume útil em 30/09
Cantareira41,1%
Alto Tietê54,3%
Guarapiranga95,1%
Cotia89,9%
Rio Claro55,8%
Rio Grande94,8%
São Lourenço84,9%
Sistema Integrado Metropolitano55,3%

Sistema Integrado também avança

Considerando os principais mananciais utilizados para abastecer a Região Metropolitana, o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) terminou setembro com 55,3% do volume útil. No início do mês, o cenário era consideravelmente mais baixo.

A recuperação foi impulsionada principalmente pelas precipitações muito acima da média registradas durante o mês. No Cantareira, por exemplo, foram contabilizados aproximadamente 284 mm de chuva em setembro, enquanto a média histórica mensal é de cerca de 79 mm. No Alto Tietê, o acumulado chegou a 247 mm, diante de uma média histórica de 57 mm.

Cantareira muda de faixa em outubro

A melhora levou a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e a SP Águas a alterar a faixa operacional do Cantareira a partir de 1º de outubro.

Com o reservatório acima de 40% do volume útil no encerramento de setembro, o sistema passou da Faixa 3, de alerta, para a Faixa 2, de atenção. Nessa condição, a Sabesp poderá captar até 31 metros cúbicos de água por segundo do sistema.

Apesar da recuperação, as autoridades mantêm a recomendação de uso racional da água. O aumento dos estoques representa uma melhora importante após meses de níveis reduzidos, mas a situação dos mananciais continua dependente da regularidade das chuvas nos próximos meses.

Foto: Reprodução / Internet

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