Setembro Verde e Amarelo: campanhas reforçam a importância de cuidar da vida e ajudar a salvar outras pessoas

Saúde

O mês de setembro reúne duas importantes campanhas de conscientização na área da saúde. O Setembro Amarelo promove ações de prevenção ao suicídio e de valorização da vida, enquanto o Setembro Verde busca ampliar o conhecimento da população sobre a doação de órgãos e tecidos.

Embora tratem de temas diferentes, as duas mobilizações têm um ponto em comum: a importância da informação, do diálogo e da atenção às pessoas.

No caso da doação de órgãos, uma conversa aparentemente simples dentro de casa pode ser determinante para que pacientes que aguardam um transplante tenham a oportunidade de receber um novo órgão.

Setembro Verde: falar sobre a doação pode salvar vidas

O Brasil possui um dos maiores sistemas públicos de transplantes do mundo. Os órgãos destinados aos transplantes são encaminhados a pacientes que aguardam na lista organizada e acompanhada pelo Sistema Nacional de Transplantes.

Mas existe uma particularidade fundamental no processo brasileiro: a família precisa autorizar a doação depois da morte. Por isso, declarar em vida que deseja ser doador é uma atitude importante, mas o desejo precisa ser conhecido pelos familiares.

Isso significa que uma das maneiras mais efetivas de contribuir para a doação é conversar previamente com pais, filhos, irmãos, cônjuge ou outros familiares próximos.

Como se tornar um doador de órgãos?

Para quem deseja ser doador após a morte, o procedimento é mais simples do que muitas pessoas imaginam.

1. Tome a decisão
Primeiro, a pessoa precisa decidir se gostaria de doar seus órgãos e tecidos depois da morte.

2. Converse com a família
Conte claramente aos familiares qual é a sua vontade. Essa é a etapa mais importante, porque a autorização familiar é necessária para que a doação seja efetivada no Brasil.

3. Deixe sua família informada
Não basta apenas comentar uma vez. Quanto mais clara e conhecida for a decisão, maior a possibilidade de os familiares compreenderem a vontade do potencial doador no momento em que precisarem tomar essa decisão.

4. Não é obrigatório ter uma carteirinha de doador
Atualmente, não existe um cadastro oficial nacional que, por si só, substitua a autorização da família. O Ministério da Saúde orienta que a pessoa manifeste sua vontade aos familiares.

Também é possível registrar a intenção por outros meios, mas esse registro não elimina a necessidade da autorização familiar.

Quem pode doar?

A possibilidade de doação depende das condições médicas e do tipo de doador. No caso de pessoas falecidas, a equipe de saúde avalia quais órgãos e tecidos podem ser aproveitados de acordo com os protocolos médicos.

Entre os órgãos que podem ser destinados a transplantes estão rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas e intestino, além de diferentes tecidos.

Também existem situações de doação em vida. Pessoas adultas, juridicamente capazes e em condições adequadas de saúde podem, dentro das regras previstas pela legislação, doar determinados órgãos ou partes deles, como um dos rins ou parte do fígado.

Por que conversar com a família é tão importante?

A decisão de doar pode surgir em um dos momentos mais difíceis para uma família. Por isso, conhecer previamente a vontade da pessoa pode ajudar os familiares a compreenderem o que ela desejava.

Segundo o Ministério da Saúde, mesmo que alguém tenha manifestado durante a vida a intenção de ser doador, a retirada dos órgãos somente acontece após a autorização familiar.

Assim, a mensagem do Setembro Verde é direta: se você quer ser doador, conte para sua família enquanto está vivo.

Uma conversa que pode durar poucos minutos pode, posteriormente, contribuir para que outras pessoas recebam um transplante.

Setembro Amarelo lembra que pedir ajuda também é importante

Paralelamente ao Setembro Verde, o Setembro Amarelo promove durante o mês ações de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

O dia 10 de setembro marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. A campanha procura combater o silêncio em torno do tema, estimular o acolhimento e facilitar o acesso das pessoas que estão passando por sofrimento emocional aos serviços de ajuda.

A orientação é prestar atenção a mudanças importantes no comportamento de alguém próximo, oferecer escuta sem julgamentos e incentivar a procura por ajuda profissional quando necessário.

Para quem estiver enfrentando uma crise ou precisar conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia. O serviço também oferece atendimento por outros canais digitais.

Duas campanhas, uma mensagem: valorizar a vida

O Setembro Verde e o Setembro Amarelo abordam situações distintas, mas ambos colocam a vida no centro da discussão.

De um lado, o Setembro Verde mostra que uma decisão tomada em vida pode beneficiar pessoas que aguardam por um transplante. De outro, o Setembro Amarelo reforça que pessoas em sofrimento precisam ser ouvidas, acolhidas e encaminhadas para receber ajuda.

No caso da doação de órgãos, o primeiro passo pode ser feito hoje: converse com sua família e diga claramente se você deseja ser um doador.

A decisão pode não parecer urgente, mas, em determinadas circunstâncias, a informação transmitida durante uma conversa familiar poderá fazer uma diferença enorme para outras pessoas.

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