Deslizamento provocado por colapso de geleira deixa centenas de mortos e milhares desaparecidos no Nepal

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Um dos maiores desastres naturais dos últimos anos no Himalaia deixou um rastro de destruição no Nepal e no Tibete. Um enorme deslizamento de terra, associado ao colapso de uma geleira, desencadeou uma poderosa onda de água, lama, gelo e pedras que atingiu comunidades inteiras na região montanhosa da fronteira entre os dois territórios.

A dimensão da tragédia ainda não foi totalmente determinada. Muitas áreas permanecem isoladas, estradas foram destruídas e equipes de emergência enfrentam dificuldades para chegar às comunidades atingidas.

Como aconteceu o desastre

O episódio teve início nas proximidades da geleira Langtang Lirung, no Himalaia. Segundo análises divulgadas por especialistas, uma parte inferior da geleira teria se rompido, provocando uma avalanche de gelo e rochas.

O material desceu rapidamente pelas encostas e atingiu o rio Lhende Khola. A enorme quantidade de detritos acabou transformando-se em um fluxo de lama e água de proporções gigantescas.

Segundo uma análise da Reuters, o fluxo de detritos chegou a atingir velocidades próximas de 50 metros por segundo, percorreu mais de 20 quilômetros e atingiu áreas do Nepal e do Tibete.

A força da correnteza alterou trechos do curso dos rios e levou água e detritos por mais de 100 quilômetros rio abaixo.

Vilarejos inteiros foram destruídos

A região próxima ao rio Trishuli está entre as áreas mais atingidas no Nepal.

Casas, estradas, pontes, escolas, unidades de saúde e instalações de geração de energia foram destruídas ou severamente danificadas.

Imagens aéreas mostram grandes áreas cobertas por uma camada de lama e pedras. Em alguns locais, construções praticamente desapareceram sob os detritos.

A destruição da infraestrutura também dificultou o trabalho das equipes de emergência. Diversas comunidades ficaram isoladas depois que pontes e estradas foram levadas pela água.

Mais de 3.700 pessoas já haviam sido resgatadas no Nepal, segundo o balanço mais recente divulgado pela Associated Press.

Quase 3 mil pessoas estão desaparecidas

O número de desaparecidos continua sendo um dos aspectos mais dramáticos da tragédia.

Os dados mais recentes indicam cerca de 2.426 desaparecidos no Nepal e outros 554 no condado de Gyirong, no Tibete, totalizando quase 3 mil pessoas. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros.

Muitos trabalhadores de projetos hidrelétricos estavam na região quando a onda de lama atingiu os vales.

Há também turistas e peregrinos entre as pessoas desaparecidas. A região é utilizada como rota por visitantes que seguem em direção ao Tibete e ao monte Kailash, um importante local de peregrinação.

Trabalhadores podem estar presos em túneis

Uma das principais frentes das operações de resgate está concentrada em instalações hidrelétricas atingidas pela avalanche de lama.

Equipes trabalham para tentar alcançar trabalhadores que podem estar presos dentro de túneis parcialmente soterrados.

Em um dos locais, mais de 100 pessoas podem estar presas em uma área subterrânea atingida pelos detritos. Equipes de emergência chegaram a utilizar tubulações para fornecer oxigênio às pessoas que poderiam estar isoladas sob a lama.

O terreno extremamente acidentado, a instabilidade das encostas e a destruição das vias de acesso tornam a operação particularmente perigosa.

Novo risco de inundação

Mesmo depois da passagem da primeira onda de destruição, a situação continua perigosa.

O deslizamento e o acúmulo de gelo e detritos contribuíram para a formação de novos lagos e represamentos naturais na região.

As autoridades temem que o rompimento dessas barreiras provoque novas ondas de inundação.

Por isso, equipes de monitoramento acompanham o nível da água e a estabilidade das áreas afetadas. A possibilidade de novos deslizamentos também preocupa especialistas.

Alerta de novos deslizamentos

Especialistas alertam que a região ainda apresenta elevado risco de novos movimentos de massa.

As encostas do Himalaia são naturalmente instáveis e ficam ainda mais vulneráveis durante períodos de chuvas intensas.

A combinação entre terrenos extremamente inclinados, derretimento de gelo, chuvas e alterações nas condições das geleiras pode aumentar a possibilidade de eventos semelhantes.

Especialistas também apontam que o aquecimento do planeta pode contribuir para a instabilidade das geleiras do Himalaia, embora as causas específicas do evento de agosto ainda estejam sendo investigadas.

Desastre atingiu também o Tibete

O desastre não ficou restrito ao território nepalês.

A onda de água e detritos avançou em direção ao Tibete, atingindo principalmente a região de Gyirong, próxima à fronteira.

O complexo de Gyirong Port, importante passagem entre China e Nepal, sofreu grandes danos.

As autoridades chinesas também registraram mortes e centenas de desaparecidos na região.

O balanço conjunto entre Nepal e China continuava sendo atualizado durante o dia 29 de agosto, à medida que equipes conseguiam chegar a áreas anteriormente isoladas.

Resgate enfrenta dificuldades

O trabalho das equipes de emergência está sendo realizado principalmente com helicópteros e equipes especializadas.

A destruição das estradas obrigou os socorristas a utilizar rotas alternativas e transporte aéreo para alcançar comunidades isoladas.

Além do resgate de sobreviventes, as autoridades enfrentam outro problema: a identificação e armazenamento dos corpos.

Hospitais e estruturas locais estão ficando sobrecarregados, e o governo nepalês solicitou apoio técnico especializado para operações de resgate, identificação de vítimas e logística.

Nepal pede ajuda internacional

Diante da dimensão da tragédia, o governo do Nepal solicitou apoio internacional, especialmente para operações técnicas de resgate.

Equipes e equipamentos de países vizinhos e de outras nações estão sendo mobilizados para auxiliar nas buscas.

Índia, China, Japão e Austrália estão entre os países que ofereceram diferentes formas de apoio às operações de emergência.

A prioridade neste momento é localizar sobreviventes, retirar pessoas de áreas de risco e restabelecer as vias de comunicação.

Uma das maiores tragédias naturais recentes do Nepal

O desastre de agosto de 2026 ocorre em uma região particularmente vulnerável a fenômenos extremos.

O Nepal está localizado em uma das áreas mais montanhosas e geologicamente complexas do planeta. A combinação de grandes altitudes, encostas íngremes, rios de forte correnteza e geleiras torna o país suscetível a deslizamentos, avalanches e inundações repentinas.

O episódio desta semana, porém, chama atenção pela combinação de diferentes fenômenos naturais: colapso de uma geleira, avalanche de gelo e rochas, deslizamento de terra e inundação repentina.

A quantidade de pessoas desaparecidas e a destruição da infraestrutura fazem com que a dimensão final da tragédia ainda seja desconhecida.

Enquanto as equipes continuam as buscas, autoridades alertam para o risco de novos deslizamentos e inundações. A esperança agora está concentrada na possibilidade de encontrar sobreviventes nas áreas isoladas e nos locais onde trabalhadores podem estar presos sob toneladas de lama e detritos.

O balanço de vítimas permanece em atualização e pode aumentar nas próximas horas, à medida que as equipes de resgate conseguem acessar novas áreas atingidas.

Foto: reprodução Internet

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