Dois novos casos de remissão do HIV são anunciados e elevam total mundial para 13

Saúde

Os casos serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2026), que será realizada esta semana no Rio de Janeiro. Com os registros, o número de pacientes que conseguiram ficar livres de medicamentos antirretrovirais sem que o vírus voltasse a ser detectado subiu para 13 em todo o mundo.

Como ocorreram os novos casos?

Os dois pacientes alcançaram o estágio de remissão após serem submetidos a transplantes de células-tronco para o tratamento de doenças hematológicas graves (como leucemia), e não especificamente para combater o HIV.

  • Perfil dos doadores: Os procedimentos utilizaram células de doadores que possuíam uma rara mutação genética chamada CCR5-delta32. Essa alteração impede que as cepas mais comuns do HIV utilizem as portas de entrada nas células de defesa do organismo, bloqueando a infecção.
  • Tempo sem medicação: Os pacientes permanecem há 14 e 12 meses, respectivamente, sem fazer uso de tratamentos antirretrovirais e mantêm exames com carga viral indetectável.
  • O “Paciente de Kansas City”: Um dos casos detalhados é o de um homem diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018. Após o transplante em 2020 e a interrupção dos remédios em fevereiro de 2025, ele segue há mais de um ano sem sinais do vírus. O segundo paciente, que também acumulava histórico de hepatite B, completou 12 meses sem terapia e sem vírus detectável.

O alerta da ciência: Remissão não é cura generalizada

Apesar do entusiasmo gerado no evento global no Brasil, especialistas reforçam que ainda não é possível falar em uma cura ampla ou aplicável à população em geral.

O transplante de células-tronco é um procedimento clínico de altíssimo risco, complexo e associado a uma taxa significativa de morbidade e mortalidade. Por essa razão, ele é indicado exclusivamente para pacientes que já necessitam da intervenção devido a cânceres hematológicos graves, sendo inviável — sob o aspecto ético e médico — como estratégia de tratamento em massa para as milhões de pessoas que vivem com HIV.

O cenário na AIDS 2026

O anúncio dos novos casos integrou uma série de grandes discussões científicas no evento no Rio de Janeiro, que também destacou inovações históricas na prevenção, como os avanços de eficácia em torno da PrEP injetável semestral (lenacapavir).

Enquanto a cura funcional por transplante permanece restrita a circunstâncias raríssimas e acidentais no tratamento oncológico, os pesquisadores continuam focando em alternativas mais seguras, como terapias genéticas e anticorpos amplamente neutralizantes, para tornar o sonho de uma cura acessível uma realidade futura.

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