A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, conhecida como “Linha das Universidades”, não chama atenção apenas pela importância para a mobilidade urbana. Com 15,3 quilômetros de extensão e 15 estações totalmente subterrâneas, o novo corredor também será marcado por uma característica inédita: abrigará as estações mais profundas da história do metrô paulistano.
Projetada para ligar a Brasilândia, na Zona Norte, à estação São Joaquim, na região central, a linha atravessa áreas de relevo acidentado, passa sob importantes vias da cidade e cruza o Rio Tietê. Essas condições geográficas exigiram obras de grande complexidade, resultando em plataformas instaladas a dezenas de metros abaixo da superfície.
A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado será a mais profunda da Linha 6-Laranja e também de toda a rede metroviária de São Paulo, localizada a 65,71 metros abaixo do nível da rua. Para efeito de comparação, essa profundidade equivale aproximadamente à altura de um edifício com mais de 20 andares.
Além dela, outras três estações ultrapassam os 60 metros de profundidade: Higienópolis-Mackenzie (64,86 m), Bela Vista (60,68 m) e PUC-Cardoso de Almeida (60,51 m). Todas passarão a integrar o grupo das estações mais profundas do Brasil quando a linha estiver totalmente em operação.
Profundidade das estações da Linha 6-Laranja
| Estação | Profundidade |
|---|---|
| Itaberaba-Hospital Vila Penteado | 65,71 m |
| Higienópolis-Mackenzie | 64,86 m |
| Bela Vista | 60,68 m |
| PUC-Cardoso de Almeida | 60,51 m |
| São Joaquim | 52,08 m |
| Água Branca | 47,80 m |
| FAAP-Pacaembu | 45,71 m |
| João Paulo I | 41,45 m |
| Freguesia do Ó | 39,92 m |
| Maristela | 39,22 m |
| 14 Bis-Saracura | 38,33 m |
| Sesc-Pompeia | 31,72 m |
| Santa Marina | 30,14 m |
| Perdizes | 29,05 m |
| Brasilândia | 28,17 m |
Engenharia desafiadora
A grande profundidade das estações é consequência das características geológicas e urbanísticas do trajeto. Para minimizar desapropriações, preservar construções existentes e permitir que a linha passe sob rios, avenidas e outras estruturas, foi necessário construir túneis em níveis bastante inferiores aos das ruas.
Essa engenharia exigiu o uso de grandes tuneladoras (os chamados “tatuzões”), escavações pelo método NATM e a instalação de elevadores de alta capacidade, escadas rolantes longas e modernos sistemas de ventilação e segurança.
Uma nova referência no metrô paulistano
Quando estiver totalmente concluída, a Linha 6-Laranja deverá transportar cerca de 633 mil passageiros por dia, reduzindo o tempo de viagem entre a Brasilândia e a região central de aproximadamente 1h30 para cerca de 23 minutos. Além do ganho em mobilidade, a nova linha ficará marcada por possuir algumas das mais impressionantes obras subterrâneas já executadas no Brasil, consolidando-se como um dos maiores desafios de engenharia da infraestrutura metroviária nacional.
