Bangladesh enfrenta uma das mais graves crises de sarampo já registradas no país. O surto, iniciado em março de 2026, já provocou mais de mil mortes suspeitas ou confirmadas e dezenas de milhares de infecções. Segundo autoridades de saúde, o número de casos voltou a acelerar em setembro, apesar das campanhas emergenciais de vacinação.
Dados divulgados pela Direção-Geral dos Serviços de Saúde de Bangladesh indicam que, nos primeiros 26 dias de setembro, o país registrou uma média de 1.229 casos de sarampo por dia. O número supera a média diária observada em maio e é o maior desde aquele mês.
As internações também aumentaram. A média diária chegou a 1.072 hospitalizações em setembro, pressionando ainda mais o sistema de saúde, que simultaneamente enfrenta uma alta de casos de dengue.
Mais de 1.000 mortes
O surto já é considerado o pior da história recente de Bangladesh. Em setembro, as autoridades contabilizaram mais de 1.000 mortes suspeitas ou confirmadas relacionadas ao sarampo.
Em 18 de setembro, o balanço oficial apontava 1.048 mortes, sendo 948 classificadas como suspeitas e 100 confirmadas por exames. Naquele momento, o país já acumulava mais de 177 mil casos suspeitos e mais de 20 mil infecções confirmadas em laboratório.
O número de hospitalizações também é elevado. Desde 15 de março, mais de 156 mil pessoas com sintomas semelhantes aos do sarampo haviam sido internadas.
Crianças são as principais vítimas
A maior preocupação das autoridades está entre as crianças pequenas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os menores de cinco anos representaram a maioria dos casos registrados no início do surto.
Bebês também estão particularmente vulneráveis porque parte deles ainda não atingiu a idade normalmente indicada para a vacinação de rotina. A OMS informou que uma parcela significativa dos casos ocorreu entre crianças não vacinadas ou que receberam apenas uma dose.
O sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações graves, incluindo pneumonia, inflamação do cérebro, perda da visão e morte, principalmente entre crianças pequenas, pessoas desnutridas e indivíduos com imunidade comprometida.
Falhas na vacinação contribuíram para o surto
A OMS relaciona a atual crise a uma redução da proteção da população nos últimos anos. Problemas no fornecimento de vacinas, interrupções na imunização de rotina e a ausência de campanhas nacionais regulares contribuíram para aumentar o número de crianças suscetíveis à doença.
O país havia conseguido avançar significativamente no controle do sarampo, mas a perda de cobertura vacinal criou condições para que o vírus voltasse a circular de maneira intensa.
Nova campanha tenta alcançar 3,4 milhões de crianças
Para tentar interromper a transmissão, Bangladesh iniciou em 26 de setembro uma nova campanha nacional de vacinação contra sarampo e rubéola.
A ação pretende imunizar aproximadamente 3,4 milhões de crianças que não receberam a vacina ou ficaram de fora das campanhas anteriores. O programa tem duração prevista de um mês e prioriza crianças de 6 meses a 59 meses.
Desde abril, quase 20 milhões de crianças já haviam sido vacinadas em campanhas emergenciais e de reforço. Mesmo assim, as autoridades identificaram um número significativo de crianças ainda sem proteção.
Alerta também preocupa outros países
A situação chama atenção internacional porque Bangladesh é atualmente apontado como palco do maior surto de sarampo do mundo.
A proximidade com Índia e Myanmar e a intensa circulação de pessoas entre os países aumentam o risco de disseminação regional. A OMS classificou o risco nacional como alto devido à transmissão generalizada e às lacunas de imunização.
As autoridades de saúde de Bangladesh agora concentram esforços em localizar crianças que ficaram fora das campanhas anteriores e ampliar a vacinação. A expectativa é que a nova ofensiva reduza a quantidade de pessoas suscetíveis e ajude a interromper as cadeias de transmissão.
Enquanto isso, hospitais continuam recebendo um grande número de crianças com sintomas graves, em um dos maiores desafios de saúde pública enfrentados pelo país nos últimos anos.
Foto: IA
