O mercado brasileiro de medicamentos à base de semaglutida mudou rapidamente em 2026. Com o fim da patente da molécula no Brasil, em março, a Anvisa passou a analisar e registrar novas versões do medicamento, ampliando a quantidade de opções disponíveis para pacientes com diabetes tipo 2.
Entre as novidades está a primeira semaglutida genérica, produzida pela EMS e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em agosto. O medicamento não possui nome comercial, característica dos genéricos. No mesmo processo, a Germed recebeu autorização para comercializar o similar Semaclique.
A chegada dessas alternativas, entretanto, exige atenção: semaglutida não significa automaticamente medicamento para emagrecer. As indicações variam de acordo com o produto e a aprovação específica da Anvisa.
O que é a semaglutida genérica?
A semaglutida é uma substância que atua como agonista do receptor de GLP-1. Ela contribui para o controle da glicose e aumenta a sensação de saciedade, podendo também reduzir a ingestão de alimentos.
A versão genérica aprovada pela Anvisa contém semaglutida sintética e foi autorizada para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à alimentação e à atividade física.
Um ponto importante é que a expressão “genérico do Ozempic” pode causar confusão. Os medicamentos biológicos originais, como Ozempic e Wegovy, não são classificados simplesmente como genéricos. A regulamentação brasileira utiliza regras específicas para medicamentos obtidos por síntese que reproduzem a estrutura da molécula biológica.
Quais opções existem atualmente?
A expansão ocorreu principalmente nos últimos meses. Em julho, a Anvisa registrou cinco novas canetas sintéticas: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todas foram aprovadas para tratamento de diabetes tipo 2.
Em agosto, vieram o genérico de semaglutida da EMS e o Semaclique, da Germed. A Anvisa também já havia registrado o Ozivy, da EMS, como semaglutida sintética.
| Medicamento | Princípio ativo | Principal indicação aprovada |
|---|---|---|
| Ozempic | Semaglutida | Diabetes tipo 2 |
| Rybelsus | Semaglutida | Diabetes tipo 2 |
| Wegovy | Semaglutida | Obesidade/sobrepeso com critérios específicos |
| Poviztra | Semaglutida | Controle de peso |
| Ozivy | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Owozy | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Seemasun | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Zempneo | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Semavy | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Orsema | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Genérico de semaglutida EMS | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
| Semaclique | Semaglutida sintética | Diabetes tipo 2 |
As diferentes apresentações não devem ser tratadas como se fossem todas equivalentes para qualquer finalidade. A aprovação da Anvisa determina para qual doença e em quais condições cada produto pode ser utilizado.
E para quem procura emagrecimento?
Aqui está uma das principais diferenças entre as opções.
O Wegovy foi aprovado especificamente para controle de peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a determinadas condições relacionadas ao excesso de peso.
O Poviztra, também à base de semaglutida e produzido pela Novo Nordisk, possui indicação para controle de peso. Já as novas versões sintéticas registradas em 2026 foram, até o momento, aprovadas pela Anvisa para diabetes tipo 2.
Isso significa que utilizar uma semaglutida aprovada para diabetes especificamente com objetivo de emagrecimento pode representar uso fora da indicação aprovada em bula, mesmo que a substância possa provocar redução de peso.
Semaglutida x outras “canetas”
A semaglutida não é a única opção dessa classe disponível no país.
O Mounjaro, da Eli Lilly, utiliza tirzepatida, uma molécula que atua sobre os receptores de GIP e GLP-1. O medicamento possui indicações aprovadas para diabetes tipo 2 e obesidade, conforme as respectivas autorizações sanitárias.
Já medicamentos como Saxenda utilizam liraglutida, outro agonista de GLP-1. A Anvisa também ampliou as opções de liraglutida em 2026.
Portanto, comparar apenas o preço das canetas pode ser insuficiente. É necessário considerar princípio ativo, indicação, concentração, esquema de aplicação, resposta ao tratamento, efeitos adversos e possibilidade de manter o tratamento no longo prazo.
Preço pode mudar com a concorrência
A entrada de novos fabricantes tende a aumentar a competição, mas o preço final depende da apresentação, laboratório, farmácia, descontos e das regras de comercialização.
Além disso, o registro da Anvisa não significa necessariamente que o produto já esteja disponível em todas as farmácias. Depois da aprovação sanitária, existem outras etapas para a comercialização, incluindo a definição de preços e a estratégia de lançamento das empresas.
Outro ponto importante é que os medicamentos agonistas de GLP-1 têm venda sob prescrição com retenção da receita. A medida adotada pela Anvisa alcança produtos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro e busca reduzir o uso inadequado e os riscos associados à utilização sem acompanhamento profissional.
Mais opções, mas com diferenças importantes
A chegada da semaglutida genérica representa uma mudança importante no mercado brasileiro e pode ampliar a concorrência e o acesso ao tratamento. Porém, a grande quantidade de novas marcas não significa que todas possam ser utilizadas indistintamente.
Para diabetes tipo 2, já existe um número crescente de alternativas à base de semaglutida. Para tratamento da obesidade, por outro lado, é necessário observar especificamente quais produtos possuem essa indicação aprovada pela Anvisa.
A escolha deve considerar a indicação médica e a bula do medicamento, e não apenas o preço ou a promessa de maior perda de peso.
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