São Paulo, 16/09/26 – A cidade de São Paulo já vive o setembro mais chuvoso desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. Em apenas 14 dias, o volume registrado no Mirante de Santana, na Zona Norte, chegou a 253,8 milímetros, superando a antiga marca de 243,1 mm, registrada em setembro de 1983.
O acumulado chama atenção porque a média histórica de precipitação para setembro é de 83,3 mm. Ou seja, antes mesmo de o mês chegar à metade, a capital já havia recebido pouco mais de três vezes o volume normalmente esperado para todo o período.
O novo recorde foi estabelecido após uma sequência de sistemas meteorológicos que provocaram períodos de chuva forte em diferentes regiões do estado.
Chuva intensa em poucos dias
A concentração das precipitações também ajuda a explicar o impacto dos temporais. Entre os dias 11 e 12 de setembro, por exemplo, foram registrados 75,4 mm em um intervalo de 24 horas, segundo dados divulgados pelo Inmet.
O excesso de água provocou alagamentos, quedas de árvores e deslizamentos em diferentes pontos da capital e do estado. Com o solo já saturado, mesmo períodos de chuva menos intensa podem aumentar o risco de novos transtornos, principalmente em áreas sujeitas a enchentes e movimentação de terra.
A situação também foi expressiva em outras regiões paulistas. Campinas acumulou 257,2 mm entre os dias 1º e 13, estabelecendo o maior volume para setembro desde o início da série local, em 1961. Em Registro, o acumulado chegou a 185,3 mm, enquanto São José dos Campos registrou 161 mm.
O que provocou tanta chuva?
A sequência de temporais esteve relacionada à atuação de frentes frias e áreas de instabilidade, com sistemas avançando pelo Sul e Sudeste e favorecendo a formação de chuva sobre São Paulo.
De acordo com informações meteorológicas divulgadas durante o episódio, a combinação desses sistemas aumentou a disponibilidade de umidade e manteve o tempo instável por vários dias.
O cenário também foi associado ao fortalecimento do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de circulação atmosférica e distribuição das chuvas. Especialistas ouvidos pela imprensa destacam, porém, que eventos específicos de precipitação dependem da combinação de diferentes fatores atmosféricos.
Recorde pode aumentar
O recorde foi alcançado antes do fim do mês, o que significa que setembro ainda pode terminar com um acumulado superior ao registrado até agora.
A previsão de continuidade das instabilidades mantém a atenção das autoridades. Mesmo quando a chuva diminui, o solo permanece encharcado, aumentando a possibilidade de alagamentos, transbordamentos de rios e córregos e deslizamentos em locais vulneráveis.
A Defesa Civil e os órgãos de monitoramento seguem acompanhando as condições meteorológicas, principalmente nas áreas com histórico de ocorrências.
Um setembro fora do padrão
O recorde de 2026 ganha ainda mais dimensão quando comparado aos anos anteriores. Além dos 243,1 mm de 1983, outros setembros bastante chuvosos foram registrados em 1957, com 197,2 mm; 1993, com 206,7 mm; e 2015, quando o acumulado chegou a 201,7 mm.
Agora, com 253,8 mm registrados ainda na primeira quinzena, São Paulo ultrapassou todas essas marcas.
E como a primavera começa oficialmente apenas em 22 de setembro, o mês ainda tem dias suficientes para que o volume acumulado continue subindo.
Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
