O judoca brasileiro Daniel Cargnin protagonizou uma grande virada neste sábado (29) e conquistou a medalha de ouro no Grand Slam de Lausanne, na Suíça. Na final da categoria até 73 kg, o brasileiro derrotou o russo Danil Lavrentev com um ippon nos momentos finais do combate, depois de passar boa parte da luta em desvantagem.
O título é o segundo Grand Slam da carreira de Cargnin e encerra um período de sete anos sem uma conquista desse porte. O primeiro ouro havia sido obtido em 2019, no Grand Slam de Brasília.
Virada emocionante na final
Cargnin começou a decisão em desvantagem. Lavrentev conseguiu marcar um yuko e manteve a vantagem durante boa parte do confronto.
O brasileiro, porém, não desistiu. Na reta final, conseguiu encontrar o momento certo para atacar e aplicou um ippon, encerrando a luta e garantindo o título.
A vitória foi especialmente significativa porque Lavrentev ocupava a quinta posição do ranking mundial e era considerado um dos principais adversários da categoria.
“Foi uma competição muito difícil”, afirmou Cargnin após a conquista. O brasileiro destacou que todas as lutas foram extremamente equilibradas e que o resultado representa também uma retomada de confiança em sua carreira.
Campanha perfeita
Para chegar ao título, Daniel Cargnin precisou vencer cinco combates.
Na primeira luta, o brasileiro enfrentou o georgiano Mikheili Bakhbakhashvili e avançou depois da desclassificação do adversário por punições.
Nas oitavas de final, Cargnin enfrentou o turco Ibrahim Demiral. Novamente, a vitória veio após o adversário receber três punições durante o golden score.
Nas quartas de final, o brasileiro derrotou Kazbek Naguchev, dos Emirados Árabes Unidos, por um yuko.
Na semifinal, diante do uzbeque Said-Magomed Khalidov, Cargnin precisou do golden score para decidir o combate. O brasileiro conseguiu um waza-ari e garantiu a classificação para a final.
Na decisão, veio o momento mais importante do dia: o ippon sobre Lavrentev.
Segundo Grand Slam da carreira
O ouro em Lausanne coloca Cargnin novamente no topo de uma competição de alto nível do Circuito Mundial de Judô.
O brasileiro não conquistava um Grand Slam desde 2019, quando venceu a etapa realizada em Brasília.
Desde então, Cargnin acumulou outros resultados importantes, mas precisou esperar sete anos para voltar a levantar o troféu de campeão de uma competição desse nível.
Com a conquista em Lausanne, o judoca chegou a 10 medalhas no Circuito Mundial.
Medalhista olímpico e vice-campeão mundial
Cargnin já possui uma trajetória consolidada entre os principais judocas brasileiros.
Ele conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, quando ainda competia na categoria até 66 kg.
Posteriormente, subiu para os 73 kg, mudança que trouxe novos desafios e exigiu uma adaptação física e técnica.
O brasileiro também foi vice-campeão mundial em 2025 na categoria até 73 kg, consolidando-se entre os principais nomes da divisão.
Vitória importante na preparação para o Mundial
O resultado em Lausanne chega em um momento importante da temporada.
O Campeonato Mundial de Judô de 2026 será realizado em outubro, no Japão, e Cargnin aparece entre os candidatos a uma medalha na competição.
A conquista do Grand Slam também garante pontos importantes para o ranking mundial e para a corrida de classificação olímpica rumo aos Jogos de Los Angeles 2028.
Brasil já soma quatro medalhas
A conquista de Cargnin foi o quarto pódio brasileiro no Grand Slam de Lausanne.
Na sexta-feira, o Brasil havia conquistado três medalhas de bronze com Clarice Ribeiro (-48 kg), Rafaela Rodrigues (-52 kg) e Michel Augusto (-60 kg).
Com o ouro de Cargnin, o Brasil amplia sua participação no quadro de medalhas da competição e confirma o bom momento do judô brasileiro em 2026.
Um retorno ao topo
Mais do que uma nova medalha, o título representa uma importante retomada para Daniel Cargnin.
Depois de enfrentar períodos difíceis e mudanças de categoria, o brasileiro voltou a mostrar no tatame a capacidade de competir contra os principais nomes do mundo.
Em Lausanne, foram cinco lutas, todas exigindo concentração e resistência. Na final, quando parecia estar próximo de perder o título, Cargnin encontrou a oportunidade e encerrou o combate com um ippon.
A vitória recoloca o brasileiro no centro das atenções da categoria até 73 kg e aumenta as expectativas para o Mundial de outubro.
Aos 28 anos, o medalhista olímpico agora mira novos títulos e, principalmente, uma vaga nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Daniel Cargnin está de volta ao topo. E voltou justamente com uma vitória daquelas que ficam na memória: de virada e com ippon no último momento.
Foto: Tamara Kulumbegashvili/IJF
