Yangsan, 03/08/26 – A Coreia do Sul enfrenta uma onda de calor sem precedentes que levou os termômetros a marcas históricas. A agência meteorológica do país confirmou que a cidade de Yangsan, localizada na província de Gyeongsang do Sul (sudeste do país), atingiu impressionantes 42,5°C.
O índice marca a maior temperatura já registrada na história da Coreia do Sul desde o início das observações meteorológicas modernas, em 1904, superando recordes anteriores e acendendo alertas máximos de emergência em todo o território nacional.
O epicentro da onda de calor e impactos na rotina
Yangsan tornou-se o epicentro de uma massa de ar extremamente quente que tem castigado a Península Coreana, acumulando marcas acima de 40°C por vários dias consecutivos. Outras grandes cidades da região, como Daegu e Busan, também registraram máximas alarmantes próximas aos 40°C, enquanto a capital, Seul, tem lidado com o asfalto superaquecido e madrugadas sufocantes marcadas por “noites tropicais” (quando as mínimas não ficam abaixo dos 25°C).
Diante do cenário crítico, os impactos na vida cotidiana foram imediatos:
- Suspensão de atividades: Autoridades governamentais emitiram ordens urgentes para que a população interrompesse imediatamente trabalhos e atividades físicas ao ar livre.
- Eventos cancelados: Partidas da liga profissional de beisebol em cidades afetadas foram suspensas pelas autoridades esportivas para preservar a saúde de atletas e torcedores.
- Busca por refúgio: Moradores lotaram espaços públicos climatizados, como shoppings, cafeterias e centros comunitários, enquanto fontes públicas e atrações aquáticas temporárias viraram refúgio para famílias tentando se refrescar.
Alertas de emergência e medidas governamentais
O governo sul-coreano elevou o nível de resposta para combater os efeitos da crise climática. Mais de 20 localidades foram colocadas sob alertas de emergência para ondas de calor, uma categoria especial implementada recentemente para lidar com patamares extremos de temperatura e umidade.
Alertas severos via SMS foram disparados em massa para os celulares dos cidadãos, acompanhados de recomendações estritas de hidratação, repouso e permanência em locais com ar-condicionado. O primeiro-ministro do país ordenou vistorias de segurança prioritárias na rede elétrica — para evitar blecautes decorrentes do pico no consumo de energia — e atenção redobrada aos grupos mais vulneráveis, como idosos e trabalhadores rurais.
Mudanças climáticas em foco
Especialistas em meteorologia apontam que eventos extremos dessa magnitude refletem a aceleração das mudanças climáticas globais. Dados da Administração Meteorológica da Coreia mostram que a média anual de dias de calor extremo no país mais do que dobrou nas últimas décadas, saltando de oito dias na década de 1970 para cerca de 19 dias nos últimos anos.
Enquanto a onda de calor continua pressionando a infraestrutura das cidades sul-coreanas, cientistas e autoridades reforçam a necessidade de adaptação urbana rápida a um regime climático cada vez mais implacável.
Foto: Kazuhiro Nogi/AFP
