SÃO PAULO, 18/03/26 – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (18) o registro do Mounjaro Multidose, nova apresentação do medicamento à base de tirzepatida, da farmacêutica Eli Lilly. A decisão, oficializada no Diário Oficial da União (DOU), amplia as opções terapêuticas para pacientes com diabetes tipo 2 no Brasil, além de acompanhar uma tendência global de otimização de terapias injetáveis de uso contínuo.
O Mounjaro já é conhecido no mercado por sua atuação como um duplo agonista. A molécula imita a ação de dois hormônios intestinais — o GLP-1 e o GIP (peptídeo inibidor gástrico) —, atuando tanto no controle rigoroso dos níveis de açúcar no sangue quanto na promoção da saciedade, o que também tem levado ao seu uso para o controle da obesidade.
Qual a diferença entre o Mounjaro comum e a versão multidose?
A principal mudança aprovada pela agência reguladora está na usabilidade e no rendimento do dispositivo de aplicação (chamado de KwikPen). O princípio ativo e a eficácia do tratamento permanecem os mesmos, mas a logística do paciente muda consideravelmente:
- Mounjaro Comum (Dose Única): Na versão tradicional, cada caneta aplicadora é preenchida com apenas uma dose. O paciente realiza a injeção subcutânea e, logo em seguida, o dispositivo inteiro deve ser descartado. Para completar um mês de tratamento (com injeções semanais), o paciente precisa utilizar e descartar quatro canetas diferentes.
- Mounjaro Multidose: O novo formato agrupa o tratamento de um mês inteiro em um único dispositivo. A caneta vem pré-carregada com 2,4 mL de solução, o suficiente para quatro aplicações. O paciente utiliza a mesma caneta durante quatro semanas consecutivas.
Na prática, a versão multidose reduz significativamente o descarte de resíduos plásticos, diminui o espaço necessário para o armazenamento refrigerado em casa e simplifica o dia a dia do paciente, que lidará com menos dispositivos ao longo do mês.
Alerta de segurança: uso estritamente individual
Apesar do nome “multidose” e da capacidade de realizar várias aplicações, a bula do medicamento e as autoridades sanitárias emitem um alerta rigoroso: a caneta não pode, sob nenhuma hipótese, ser compartilhada com outras pessoas. Mesmo que a agulha seja substituída a cada nova aplicação — o que é obrigatório para manter a higiene —, o compartilhamento do corpo da caneta pode causar contaminações graves e infecções cruzadas. O dispositivo é de uso estritamente individual.
Dosagens e disponibilidade
O registro concedido pela Anvisa tem validade de 24 meses e contempla seis concentrações diferentes do produto, que variam de 2,5 mg a 15 mg por dose individual, permitindo a progressão gradual do tratamento conforme a indicação médica. A comercialização nas farmácias brasileiras agora depende das estratégias de lançamento e precificação da fabricante.
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